Saduceus e Fariseus

Quem eram e como pensavam os saduceus e fariseus?

Algumas informações sobre essas seitas religiosas e mais os essênios e zelotes[1]:

Fariseus:

  1. Sucessores dos hassidim (“os piedosos”), do séc. II a.C., formavam um partido religioso puritano.
  2. Principal interesse: observância da Lei de Moisés.
  3. Conferiam igual valor às tradições dos anciãos e às Escrituras Sagradas.
  4. Criam em anjos e demônios.
  5. Criam na vida após a morte.
  6. Davam grande ênfase aos aspectos práticos de seus ensinamentos, como a oração, o arrependimento e as obras assistenciais.
  7. Embora poucos em número, sua influência social e política era considerável.
  8. A maioria dos escribas pertencia a este grupo.
  9. Sua rigidez e separatismo degeneraram em mero legalismo e arrogância e desprezo pelos demais.

Saduceus:

  1. Em sua maioria eram sacerdotes e ricos aristocratas.
  2. Não reconheciam a autoridade da tradição oral.
  3. Negavam a existência do mundo espiritual.
  4. Não criam na ressurreição dos mortos nem na vida futura.
  5. Aceitavam canônicos apenas os livros de Moisés (o Pentateuco, os 5 primeiros).
  6. Interpretavam a Lei de maneira literal.
  7. Eram simpáticos à cultura helenística.
  8. Contavam com pouco apoio popular.
  9. Eram renhidos adversários dos fariseus.

Essênios:

  1. Seita monástica e ascética que vivia no deserto da Judéia, às margens do Mar Morto.
  2. Praticamente desconhecidos até a descoberta dos manuscritos de Qumram.
  3. A seita de Qumram foi organizada por um “mestre de justiça” no se. II a.C.
  4. Consideravam-se “os filhos da luz”.
  5. Viviam separados do judaísmo de Jerusalém, que consideravam apóstata.
  6. Aguardavam o dia da batalha final quando derrotariam “os filhos das trevas”.
  7. Esperavam a vinda de dois messias, um sacerdotal e um real, ou um que combinasse ambos.
  8. Eram radicalmente dualistas em seus conceitos.
  9. Embora sua terminologia fosse parecida com a do Cristianismo, o conteúdo de seus ensinamentos é acentuadamente distinto.
  10. Desapareceram por volta de 73 a.C. quando da conquista da fortaleza de Massada pelos romanos.

Zelotes:

  1. Eram os fundamentalistas reacionários do povo judeu.
  2. Acreditavam que a submissão a Roma fosse traição a Deus.
  3. Eram conhecidos como cananitas.
  4. Pelo menos um dos apóstolos, Simão, havia sido zelote.
  5. Foram eles que provocaram a rebelião que culminou na destruição de Jerusalém em 70.
  6. Ao que parece, tomaram parte na rebelião de Barcoquebas em 132-135 d.C., ocasionando a saída dos judeus da Palestina.

Completa-se essa breve descrição com a contribuição de dois filósofos modernos:

Kierkegaard propõe que há três tipos básicos de pessoas (resumidamente)[2]:

Outra contribuição é aquela de Erich Fromm[3] (muito resumidamente):


Qual o intuito dessas descrições? É que, como tudo nas Escrituras, há uma dimensão arquetípica nessas seitas, isto é, as características desta e/ou daquela mantém-se na História d.C. Senão vejamos:

As classificações de Kierkegaard e E. Fromm já são confirmações disto.

Proponho aos que ainda estão lendo estas linhas o seguinte exercício de autoconhecimento:

a) Primeiro passo (mais fácil): examinem as pessoas em sua volta, tanto os mais próximos como os mais distantes (pessoas públicas, inclusive). Que traços de que “seitas” estão claros em suas vidas?

b) Segundo passo (mais difícil): agora, mais treinados, analisemo-nos de que doutrina(s) estranha(s) nossas crenças e/ou atitudes estão contaminadas.


Auto-conhecimento basta? Para E. Fromm é quase tudo. Para o Cristianismo é quase nada – é mera pré-condição do primeiro passo espiritual.

M
Out/2009


Notas de Rodapé

[1] Estudo da Bíblia de Estudo Pentecostal, Ed. Revista e Corrigida, 1995, CPAD, p. 1380

[2] Na coleção Os Pensadores, na introdução do volume de Kierkegaard, há um bom estudo sobre este tema. Kierkegaard foi um filósofo do tempo de Hegel a quem se opôs ferozmente com uma visão de mundo anti-“grande sistema”, valorizando o indivíduo (a unicidade), a irredutibilidade ao racional da existência humana aqui e agora, concreta. Por isto é considerado o pai do Existencialismo de Heidegger, Sartre, etc. “Neto” de Duns Scott, filósofo/teólogo franciscano do séc XIII, o Doutor Sutil, único a contestar Tomás de Aquino e na maioria das vezes com razão, pai do espírito moderno, da valorização da individualidade e mentor pouco conhecido dos próprios protestantes.

[3] E. Fromm, O Medo à Liberdade. Filósofo da Escola de Frankfurt (jovens judeus marxistas que experimentaram aplicar as categorias da Psicologia nas Ciências Sociais numa tentativa de explicar as causas de certos fatos). Em especial, E. Fromm procura explicar neste livro – best seller – o surgimento do nazismo e a conclusão que chega é que este é produto do profundo rancor da classe média baixa em relação às mais abastadas. Não é à toa que Jesus detestava essa mentalidade: seus sete olhos anteviam a desgraça que o coração imundo pela inveja pode e faria à humanidade.